Traje académico.

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Traje académico.

Mensagem  Admin em Seg Fev 16, 2009 9:38 pm

O Traje académico, também conhecido por Capa e Batina, foi objecto de significativas transformações, no talhe e no aspecto, ao longo dos anos.

O traje tem a sua génese nas próprias vestes eclesiásticas.
A influência da Igreja no ensino, e, consequentemente, nos próprios estudantes, é um factor importante para explicar algumas particularidades que ainda hoje vigoram entre nós.
Realmente, tendo sido responsável pelo ensino superior até ao séc.XVIII, a Igreja, pelo estreito contacto que mantinha com o meio estudantil, veio a influenciar este com algumas características.
A mais vistosa é o próprio traje (como já atrás foi referido), no entanto, outras particularidades se podem salientar.

É de Praxe ter os botões do traje em número ímpar, os furos dos sapatos em número ímpar, os emblemas na capa em número ímpar, em suma, esta fixação pelo número ímpar vai ao ponto de não se dizer números pares e, em vez deles, dizer o número ímpar anterior mais 1. É uma particularidade, ou melhor, uma tradição, que encontra a sua melhor explicação nessa mesma influência que a Igreja teve na Universidade.

Este facto encontra fácil explicação na simbologia que os números pares e ímpares tinham para a Igreja Católica.
De facto, os números ímpares sempre foram os que mais significado tiveram para a Igreja Católica, salientando-se a simbologia do:
1: Deus;
3: Número da unidade e da Trindade. É usado para reforçar ou dar ênfase a uma expressão. Assim, quando se quer dizer que Deus é Santo, repete-se três vezes: «Deus é Santo, Santo, Santo». Deus abençoa três vezes. Três são os mensageiros que anunciam o nascimento de Isaac. É o número da plenitude e da santidade.
7: É a soma de 4 + 3. Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição; grande quantidade; totalidade; O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias;a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa; Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7, etc...

Por mera curiosidade, o número 4 significa os 4 elementos do universo, os 4 evangelhos, 4 cantos da terra, por isso associado ao 3 dá 7 que é o número perfeito.

Esta foi uma breve explicação do importante simbolismo que os números ímpares têm para a Igreja, que explica a sua adopção por esta como números favoráveis e, consequentemente, passaram para a Universidade.
Não esquecer que a maior parte dos números pares têm simbolismo feminino e os números ímpares têm simbolismo masculino, o que, também explica a preferência da Igreja pelos ímpares. Isto aliado ao facto do número par 6 ser o número imperfeito, sendo o 666 o número da besta (do diabo, satanás, demo, belzebu) conotado com o azar, má sorte, maldade, completa na perfeição a explicação da preferência pelos números ímpares.

Voltando ao tema, tradicionalmente, o gorro do traje servia para transportar os livros e o fecho da capa permitia colocá-la na cabeça para protecção da chuva.

Quando é publicado o 1º Código da Praxe Académica, em 1957, o traje passa a ser um símbolo uniformizador, evitando as diferenças eventualmente proporcionadas pelos diferentes estatutos sociais e económicos de todos os estudantes. As normas são explicitas, todas as etiquetas devem ser removidas para não haver distinções, não se podendo evidenciar sinais de riqueza.

O traje representa humildade, respeito e fraternidade. Trajados todos são iguais, distinguindo-se os praxistas, apenas pelo seu carácter, dedicação e brilhantismo intelectual. Podemos concluir que entre iguais são ímpares, únicos, acreditando-se que dai poderá também advir o reforço da simbologia do ímpar na praxe.

O traje feminino surgiu no Porto. Existe uma foto de l920, de 3 raparigas de Belas Artes trajadas com capa, saia comprida e casaco.

O "rasganço" (actualmente mais raro mas não inexistente) após a licenciatura deve ter surgido com a "Farraparia" que durou até 1910. Era feita na Faculdade de Direito de Coimbra, após o anúncio do último dia de aulas, em que os alunos do 1º ano esperavam os do 5º, perseguindo-os com a finalidade de lhes rasgar as batinas e as capas.


Traje Académico Masculino:


- Capa preta;
- Batina preta de formato não eclesiástico;
- Calças pretas;
- Colete preto;
- Gravata preta;
- Camisa branca com colarinhos normais;
- Meias pretas;
- Sapatos pretos de formato simples;
- Gorro preto (facultativo), sem borla e sem terminar em bico.

A batina deve ter um botão na parte de trás da lapela direita (e a casa correspondente na outra), para fechar em caso de luto.
Há uma versão de gala, com colarinhos de bico e laço preto em vez de gravata.


Traje Académico Feminino:

- Capa preta;
- Casaco preto;
- Saia preta travada;
- Gravata preta;
- Camisa branca;
- Meias pretas;
- Sapatos pretos de formato simples;
- Não existe versão de gala.


Do modo de usar:

- Quando se usa a capa pelas costas, esta deve ter algumas dobras no colarinho. Podem ser indicativas do número correspondente ao ano do curso em que se está ou de quantas matrículas se tem.

- A capa traça-se sempre sobre o ombro esquerdo.

- Quando sobre o ombro, a capa é sempre posta no ombro esquerdo.

- Em Serenatas, a capa tem absolutamente que estar traçada.

- Em luto, a Batina deve apresentar as abas fechadas, encontrando-se a capa caída pelos ombros, sem dobras.

- Na Missa, a capa põe-se pelas costas, sem dobras.

- Nos Cortejos da Queima das Fitas, os Cartolados devem cobrir as lapelas da batina com bandas de cetim da cor do curso a que pertencem. As abas devem ser arredondadas, dobrando e cosendo as duas pontas inferiores, dando um aspecto de fraque. A Cartola e o laço ou a roseta (no caso das mulheres) devem ser da cor do curso. A roseta usa-se no bolso exterior superior esquerdo do casaco. Não se usa a capa com cartola e bengala.

- Acerca dos rasgões na capa, o fundamental é que estes se refiram a pessoas importantes e que são feitos com os dentes. É de tradição menos conhecida que a família rasgue a capa do lado direito, amigos do lado esquerdo, e namorado(a) no meio. Podem-se ter emblemas cosidos no lado de dentro da capa, na parte inferior esquerda, desde que não se notem os pontos do lado de fora, nem os próprios emblemas quando a capa estiver traçada ou pelas costas. Considera-se que os emblemas se devem referir a aspectos importantes da vida académica, ou muito importantes da vida pessoal.

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Re: Traje académico.

Mensagem  N&M em Ter Ago 07, 2012 9:01 am

Uma larga parte daquilo que acima está escrito é mito, falsidade e ficção.

Queira, pois, ler e inteirar-se dos factos, estudados, investigados e comprovados.



Como o fórum me diz que não posso publicar nada com links (estranho!), convido a passar pelo blogue Notas&Melodias, no qual tem, do lado esquerdo, uma lista de artigos que aconselho sobre aquilo que acima refere.

Outros blogues são o Penedo d@ Saudade, o Porto Académico, o Virtual Memories e o Praxe Porto, entre outros, de reputados investigadores e estudiosos do fenómeno.

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